Categorias:

Ser piloto é difícil! Imagine 100 anos atrás

Imagem do avatar de
Publicado por Equipe AeM

Sabe quantas mulheres são pilotos de avião comercial no Brasil? Um pouco mais de 3%. E se é assim agora, imagine ser piloto mulher a cem anos atrás!

O vídeo de hoje é um collab com um dos melhores contadores de histórias aqui no Youtube, o Buenas Ideias. Assista também o vídeo no canal do Bueno https://youtu.be/vprTl1xI3U4​.

Nós vamos falar de duas pioneiras da aviação – A Anésia Pinheiro Machado e a Ada Rogato. Tá faltando a Thereza di Marzo né? Mas já tem a história dela aqui no episódio 459.

Que aviões elas voavam? Quais as contribuições que elas trouxeram para a aviação?

Pra vocês entenderem o contexto, nós estamos em 17 de março de 1922, Anésia tem apenas 18 anos e acaba de fazer seu primeiro voo solo, no mesmo dia em que Thereza Di Marzo, ambas voando no Caudron G.3. , no aeroclube do Brasil, onde hoje é localizado o Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro. Não se sabe ao certo qual das duas voou primeiro, apenas se sabe que 17 dias depois, Thereza obteve o brevê de número 76 e no dia seguinte Anésia obteve 77. Ela tinha apenas 18 anos e se o aeroclube fosse em São Paulo, é possível que uma menina de apenas 12 anos, chamada Ada Rogato, estivesse olhando para cima.

Anésia não parou mais de se encantar pela aviação, e contra todas as dificuldades, foi estabelecendo recorde atrás de recorde. 14 dias depois de ter a licença de piloto, se tornou a primeira mulher a realizar um voo com passageiro. Foi também a primeira mulher a fazer um voo acrobático. Acha que é muito? Pois 40 dias depois deste feito, conquistou o recorde feminino de voo em altitude: chegou aos 13 mil pés!! 4 124 metros moçada, e só fazia 16 anos que Santos Dumont tinha decolado com seu 14 bis e atingido 2 metros de altura.

Ela foi a primeira mulher a realizar um voo interestadual, ainda em 1922. Cobriu a rota entre São Paulo e Rio de Janeiro em apenas 4 dias! Olha só…hoje você faz esse voo em 45 minutos e ainda reclama. Em 1922 demorou 4 dias! E quando lá chegou, foi recebida por autoridades e ainda recebeu uma homenagem de ninguém menos que Santos Dumont.

A menina Ada Rogato continuava não se encaixando no padrão de vida que seus pais queriam dela, uma moça prendada, e mesmo quando teve de ajudar a mãe nas atividades domésticas e fazendo trabalhos artesanais para se sustentar após o abandono do pai, ela não desistia do seu sonho de voar. Em 1935, 13 anos após os recordes de Anésia, Ada Rogato tira o seu brevê de piloto de planador, e no ano seguinte, de piloto de aeronaves. Seguindo os passos de Anésia, começa a criar seus próprios recordes – foi a primeira mulher a ter o certificado de paraquedista no Brasil e também a primeira pessoa a fazer pulverização agrícola no Brasil. Ela usou uma aeronave “Paulistinha”, batizada como “Gafanhoto” por Henrique da Rocha Lima, diretor do Instituto Biológico à época. Um detalhe é que esse avião foi doado por “Baby” Pignatari ao Instituto para combate aéreo à broca do café. Baby Pignatary foi um milionário radicado em São Paulo que teve um Electra 2 executivo, como eu contei no episódio 454. Bem, essa pulverização de lavoura aconteceu em 1948…mas vamos voltar a 1940, quando Anésia tira a nova licença de piloto privado. E aí, em 1940 a vida das duas pioneiras se cruzam…