
Antes da pandemia de covid-19, praticamente todos os continentes do mundo estavam interligados por voos diretos. No entanto, não havia ligações diretas entre a América do Sul e o Extremo Oriente. Até há companhias que ligam as duas regiões, mas fazendo conexões na Ásia, Europa e América do Norte. Por quê?
Antes de explicarmos os motivos, vamos fazer um panorama das regiões. Os Estados Unidos, recuperaram o primeiro lugar, mas em 2020, a China chegou a ter o maior mercado de aviação do mundo, de acordo com a IATA. Japão, Indonésia e Coréia do Sul eram outros países do Extremo Oriente figuravam com a China na lista dos dez maiores mercados mundiais de aviação em 2020.
A lista dos 10 maiores mercados de aviação entre países emergentes tem seis do Oriente e dois da América Latina. Os asiáticos são China, Vietnã, Tailândia, Filipinas, Malásia, Indonésia, Índia e Rússia. Já os latino-americanos são México e Brasil. Ainda assim, tirando os voos da Aeroméxico para o Japão e Coréia do Sul, não havia voos diretos entre a América Latina e o Oriente. E dois pontos explicam isso.
Geografia

Antípoda é o extremo oposto, isto é, o local mais distante de algum lugar na Terra. Por exemplo, a antípoda de Belo Horizonte é um ponto do Oceano Pacífico a nordeste das Filipinas. Aliás, aí está um exemplo de por que não há voos diretos entre a América do Sul e o Extremo Oriente: estamos literalmente do outro lado do mundo. O Chile, terra da LATAM, está no extremo oposto da China. A Colômbia, casa da Avianca, é o extremo oposto da Indonésia. Isso só para pegar exemplos de duas das maiores companhias aéreas da América do Sul.
Pegando por exemplo, um voo entre Guarulhos e Pequim, os aeroportos mais movimentados da América do Sul e do Extremo Oriente. Ele estão a 17.578 km de distância. A rota mais curta em linha reta entre os dois pontos atravessa quase que toda a Rússia. Como sabemos, o espaço aéreo do país está cheio de restrições por causa da invasão da Ucrânia. E a Rússia também cobra taxas muito altas de quem sobrevoa o país. Se é para desviar da Rússia, então que pare no meio do caminho, em Dubai ou Los Angeles, por exemplo.
Tecnologia

Como acabamos de ver, a menor distância entre São Paulo e Pequim é de 17.578 km. Hoje, só existe um modelo de avião que tem essa autonomia com peso máximo de decolagem, o Airbus A350-900 XWB Ultra Long Range. O modelo recebeu adaptações que permitem que ele voe até 18 mil km. O Boeing 777-200LR bate na trave, com uma autonomia de 17.446 km.
Como noticiamos no blog, o fechamento do espaço aéreo russo criou o voo mais longo do mundo, operado pela Cathay Pacific entre Hong Kong e Nova York. Antes, o voo atravessava a Rússia, Ártico e Canadá. Por conta das restrições, os Airbus A350-1000 dão a volta pelo outro lado, atravessando o Oriente Médio, Europa e o Oceano Atlântico. Com 16.668 km, este voo é quase 1000 km mais curto do que um eventual trajeto entre Pequim e Guarulhos.
Projeto Sunrise mostra um caminho

Além disso, ainda há o impacto no ser humano. No Projeto Sunrise, a Qantas estuda há anos a viabilidade dos voos mais longos do mundo, ligando a Austrália a Londres e Nova York. Um dos estudos é sobre como o corpo humano reage a quase 20 horas dentro de um avião. Em 2019, a companhia realizou voos de teste com um Boeing 787. Neste voo, tripulantes foram monitorados durante todo o voo. Depois de muito estudo, entre 2024 e 2025, a companhia deve colocar os novos Airbus A350-1000 para fazer esses trajetos.
No entanto, eles vão ser os A350-1000 com menor capacidade de passageiros do mundo, com apenas 238 lugares. Para se ter uma ideia, os Airbus A330neo que a TAP coloca nos trajetos para o Brasil levam 298 passageiros. E são dez metros mais curtos que os A350-1000. Dessa forma, a Qantas vai reduzir bastante o peso e aumentar a autonomia dos aviões. Assim, poderá voar os 17 mil quilômetros entre Sydney e Londres. A mesma distância entre São Paulo e Pequim.
Assim, o A350 poderá fazer os voos entre a América do Sul e o Oriente.
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