
Se você gosta de aviação, ou pelo menos de viajar, você certamente já se deparou com siglas de aeroportos, como CNF, NRT, BEL, SCL… Se você está com um pezinho a mais na aviação, também se deparou com siglas mais específicas, como SBCF, YSSY, EDDF ou FQMA. Mas, afinal, quem define essas siglas? E qual é a lógica que existe por trás delas?
Como você deve ter percebido no título e no parágrafo anterior, existem dois tipos de códigos de aeroportos. O mais conhecido, é o código IATA, com apenas três letras. Ele aparece não só em sites de companhias aéreas, mas também em lembrancinhas (inclusive, nas capas de celular personalizadas da Loja do Aviões e Músicas), etiquetas de bagagens e até conversas informais. Abraço aos amigos de POA.
Mas, também existe o código ICAO, com quatro letras. Essa forma é mais conhecida entre o pessoal ou que trabalha na aviação, ou que é mais entusiasta. E tem uma regra mais rígida para a formação da sigla. Mas, afinal, que regras são essas? E para o código IATA, existem regras?
CNF, GIG, SCL… o código IATA
O código IATA é o mais conhecido do grande público. Ele é composto por apenas três letras e, em alguns casos, é conhecido até mesmo fora da aviação. É relativamente comum ver o público geral se referir a Porto Alegre como POA, a Brasília como BSB e, às vezes, a Curitiba como CWB. Não existe uma regra muito clara para a escolha das siglas. Na verdade, existem alguns caminhos diferentes.
Iniciais
Por exemplo, a mais básica são as siglas que são as iniciais das cidades onde estão os aeroportos. Por exemplo, REC se refere a Recife. Da mesma forma, BEL é o aeroporto de Belém. Mesmo fora do Brasil, essa regra se aplica a diversos casos. Quer ver? BOG é o aeroporto de Bogotá. LIS é o aeroporto de Lisboa, da mesma forma que SYD se refere ao aeroporto de Sydney.
Partes do nome
Existem outros casos nos quais a sigla se refere a partes do nome da cidade. Aí a gente chega no já citado POA, que é Porto Alegre. Ainda tempos JPA, se referindo a João Pessoa, FLN, como Florianópolis ou SCL, Santiago do Chile. Ainda há os casos que a sigla precisa remeter à cidade. SSA é Salvador. Isso porque, quando o aeroporto de Salvador surgiu, as siglas como SAL, SVD, e por aí vai já estavam ocupadas. CWB é a mesma coisa. CUB, CTB, CRB… por aí vai, já existiam. Às vezes, é preciso fazer um “malabarismo” para encontrar a sigla certa.
Nome do aeroporto
Isso sem contar com as siglas que se referem aos nomes dos aeroportos, geralmente em cidades que tem mais de um aeroporto. BHZ era o código do Aeroporto de Belo Horizonte, ou melhor, da Pampulha. Mas aí veio Confins, que virou CNF, enquanto a Pampulha virou PLU. Isso também acontece com o Santos Dumont (SDU) e o Galeão (GIG) no Rio de Janeiro. Aliás, pelo que já li, GIG vem de Galeão, aeroporto que fica na Ilha do Governador.
Aeroportos das maiores cidades do mundo costumam puxar os nomes. É por isso que Nova York tem o JFK (Aeroporto John F. Kennedy), LGA (La Guardia), entre outros. Mesma coisa, Paris com o CDG (Charles DeGaulle) e, vindo para o Brasil, os aeroportos de GRU (Guarulhos) e CGH (Congonhas), em São Paulo. Ainda tem aqueles que não são muito intuitivos, tipo FCO, se referindo ao aeroporto de Fiumicino, de Roma e MCO sendo Orlando e não, sei lá, Maceió (MCZ). MCZ é uma referência a Maceió – Zumbi dos Palmares. Enquanto MCO é a Base Aérea McCoy, onde hoje está o Aeroporto de Orlando.
Canadá é outra história
E ainda tem o caso do Canadá, onde todos os aeroportos começam com Y. Toronto é YYZ. Quebec é YQC, enquanto Montreal é YUL. Mas de onde vem essas siglas e essa obsessão com o Y? Antes de a IATA estabelecer esse código, os canadenses já tinham estabelecido um código próprio, no qual diziam se uma cidade tinha ou não uma estação meteorológica. Se tivesse, começava com Y. Se não, começava com W. Como boa parte dos aeroportos estavam nessas cidades com estações, elas já eram conhecidas com Y_ _. YUL já era o código pra identificar que Montreal tinha a estação de código UL.
Código ICAO, siglas dos aeroportos mais organizadas

Enquanto o nome da cidade, do aeroporto ou outros fatores podem estabelecer sua sigla no código IATA, o código ICAO tem uma regra um pouco mais rígida. Geralmente, as duas primeiras letras do código se referem à região e ao país onde está o aeroporto. Aí as duas últimas letras se referem ao nome do aeroporto e a cidade onde ele está.
Por exemplo, o Aeroporto Internacional de Confins tem o código SBCF. Todos os aeroportos da América do Sul começam com S. Muitos aeroportos brasileiros tem a segunda letra B. CF é o código para se referir a Confins. Mas, no Brasil, SD, SN, SS e SW também podem se encaixar nos aeroportos. Por exemplo, o Aeroporto de Divinópolis tem o código SNDV. O Brasil precisa de duas letras por ser o segundo país no mundo com mais aeroportos, perdendo apenas para os Estados Unidos. Da mesma forma, China, Índia e Rússia possuem situações parecidas com a do Brasil.
Enquanto isso, os outros países da América do Sul só têm uma segunda letra para se referir a seus aeroportos. SA_ _ é algum aeroporto da Argentina. SV _ _ vai para aeroportos venezuelanos. Chile e Colômbia começam com C, então os chilenos ficaram com SC _ _, enquanto os colombianos com SK_ _. A mesma coisa acontece com Peru (SP_ _) e Paraguai (SG_ _) e a Bolívia ficou com SL_ _.
Lógica parecida acontece na Europa. As siglas dos aeroportos do sul do continente, além de Israel e Turquia começam com L, seguido do código do país, tipo Portugal com LP_ _, Itália é LI_ _, e Turquia é LT_ _. Do mesmo modo, o norte da Europa começa com E. Bélgica é EB_ _, Grã Bretanha é EG_ _ e por aí vai.
Estados Unidos e Canadá
Tirando o Alasca e o Havaí (respectivamente PH e PA), apenas a primeira letra das siglas dos aeroportos se refere aos Estados Unidos: K. Na maioria dos casos, as três letras restantes são o código IATA do aeroporto. Por exemplo Houston, tem o código IATA IAD (IAD provavelmente de International Airport Dulles) e o código ICAO KIAD. O já citado Aeroporto Internacional John Kennedy é KJFK e por aí vai. A mesma coisa acontece no Canadá, com o C se referindo ao país e as três letras restantes ao código IATA do aeroporto.

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