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Cinco cargueiros incomuns

Airbus Beluga XL é um dos cargueiros incomuns da lista
Além do Airbus Beluga, existem outros cargueiros com design bem diferentes. (Julien.jeany/Wikimedia Commons)

Ontem (24), pousou no Brasil pela primeira vez o Airbus Beluga ST. O cargueiro que a Airbus construiu para transportar peças de suas aeronaves também faz voos fretados, como o que chegou em Fortaleza, trazendo o primeiro helicóptero ACH160 para um comprador da América Latina. Enquanto escrevo esse texto, ele sobrevoa Minas Gerais, em direção a Campinas. Aproveitando o hype, deixa eu fazer aqui uma lista com alguns cargueiros incomuns e que chamam bastante atenção por onde passam!

Budd RB Conestoga

Além do design esquisito, o Conestoga se destacava por ser feito de aço inoxidável. (US Navy/Wikimedia Commons)

Nossa lista começa com um avião da Segunda Guerra Mundial. A Budd construiu o cargueiro RB Conestoga a pedido da Marinha dos Estados Unidos. Além do design esquisito, com a cabine de comando acima da fuselagem, o que chama atenção no avião é o fato de ele ser todo feito em aço inoxidável. Isso aconteceu porque, durante a guerra, a indústria passava por uma escassez de alumínio.

Na Marinha, ele voou por pouco tempo, só entre 1944 e 1945. Rapidamente, transportadoras civis compraram os aviões, para transportar móveis e frutas pelos Estados Unidos. Inclusive, a Viação Aérea Santos Dumont (VASD) trouxe um Conestoga para o Brasil. Por aqui, ele voou entre 1944 e 1947, quando fez um pouso sem trens de pouso no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, e nunca mais voou.

Aviation Traders ATL-98 Carvair

atl-98 carvair
O ATL-98 Carvair era um avião “combi”. Isso é, ele transportava cargas e passageiros ao mesmo tempo. (Phillip Capper/Wikimedia Commons)

Outro cargueiro “cabeçudo” é o Aviation Traders ATL-98 Carvair. Na verdade, ele era um avião Combi, isso é, que combinava o transporte de passageiros e de cargas. Ele podia transportar 22 passageiros e cinco carros. Ou 55 passageiros. Assim, era relativamente fácil converter a cabine para diferentes usos.

O Carvair nasceu a partir do Douglas DC-4. A Aviation Traders fez a adaptação do avião, puxando a cabine de comando para um piso superior e colocando uma porta de carga na porção frontal da aeronave. Dessa forma, a companhia converteu 21 DC-4 para ATL-98. E os aviões voaram assim entre 1962 e meados de 1977. Ainda há alguns sobreviventes nos Estados Unidos e na África.

Aero Spacelines Super Guppy

O Super Guppy é o “pai” dos Airbus Beluga de hoje. Inclusive, a própria Airbus utilizou o modelo em seus primeiros anos. (NASA/Tom Tschida/Wikimedia Commons)

O Super Guppy é o pai do Airbus Beluga. Durante a década de 1960, a NASA precisava de uma forma de transportar peças de foguetes e naves espaciais entre as fábricas e as bases de lançamento nos Estados Unidos. O transporte por rodovias ou ferrovias era lento demais para as necessidades da NASA, mas não havia nenhum avião com porão grande o suficiente para isso. O que fizeram, então? Pegaram um Boeing 377 Stratocruiser, reforçaram a estrutura e construíram sobre ele um imenso porão de cargas.

Na década de 1970, nascia a Airbus. Assim como acontece até hoje, as partes dos aviões são fabricadas em diversos países, então são transportadas até Toulouse, na França, onde a Airbus termina de montar as aeronaves. Mas os europeus enfrentaram o mesmo problema da NASA, não era eficiente enviar as partes por trens, caminhões ou barcos. A solução? Comprar o Super Guppy. E, como pegava mal a Airbus usar aviões da Boeing, ela conseguiu a licença para fabricar seus próprios Super Guppy.

Airbus Beluga ST e Beluga XL

airbus beluga
O Beluga leva até Toulouse as partes dos aviões que a companhia fabrica. (aeroprints.com/Wikimedia Commons)

A Airbus continuou crescendo e desenvolveu novos aviões, ainda maiores. Apesar de o Super Guppy conseguir transportar as peças dos A300, ele não era grande o suficiente para fazer um transporte eficiente das partes dos Airbus A330 e A340. Então, os europeus começaram a trabalhar no sucessor do Super Guppy, um cargueiro ainda maior e que pudesse transportar essas peças. Qual foi a solução? Pegar um A300-600 e fazer nele a conversão que os norte-americanos fizeram no Boeing 377 Stratoliner. Pelo formato esquisito, que lembrava uma beluga, esse acabou se tornando o apelido do avião: Beluga.

O primeiro modelo se mostrou bem eficiente e foi uma peça fundamental para a Airbus entrar na briga de vez com a Boeing. Mas, com o passar do tempo, precisaram de um avião ainda maior. Um que pudesse levar duas asas de um A330 de uma vez e as partes dos imensos A350. Então, a fabricante adaptou o projeto dos A330 e criou uma nova versão do cargueiro, o BelugaXL. Maior, com maior capacidade de carga e atualizado para os novos tempos.

Boeing Dreamlifter

dreamlifter
A Boeing modificou seus 747-400 para poder transportar partes do 787 entre países. Assim nasceu o Dreamlifter (Eric Salard/Wikimedia Commons)

Você sabia que os aviões da Boeing são fabricados em diversos países e montados na fábrica em Everett? Pois é, a construção internacional de um avião não é exclusividade da Airbus. Por exemplo, o Boeing 767, lá na década de 1970, já tinha partes feitas na Itália bem como no Japão. Da mesma forma, os modelos seguintes, 777 e 787 também tem partes fabricadas em diversos países, e então montadas nos Estados Unidos.

As peças dos 767 e 777 iam para os Estados Unidos de navio. No entanto, para o Boeing 787, a fabricante quis aumentar a eficiência da produção. O que fizeram? Pegaram um Boeing 747-400 e modificaram sua fuselagem, aumentando o volume das cargas transportadas em três vezes. De 2006 para cá, a Boeing já fabricou quatro Dreamlifters que, além de transportar peças dos 787 da Itália e Japão para os Estados Unidos, ainda fazem voos especiais de frete. Durante a pandemia de covid-19, esses aviões transportaram milhões de máscaras entre países.

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