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AeroPeru: Uma fita adesiva causou um acidente?

Imaginem a dificuldade de voar um avião numa noite escura, sobre o mar, sem ter referências visuais e sem poder confiar em seus instrumentos! Certamente, essa tripulação passou por momentos bem difíceis tentando entender o que realmente estava acontecendo

Lito, tu faz vídeo pras pessoas perderem medo de voar e fica falando de acidente? Sim, o conhecimento do que acontece em um acidente, sem dramatização e as medidas tomadas para que a situação não se repita, explica muito do porquê a aviação a cada ano se torna mais segura.

A aproximadamente 100 pés do chão, após a decolagem, começa uma verdadeira confusão dentro da cabine de comando do 757. Os pilotos identificaram que havia uma falha, mas não conseguiam saber qual dos instrumentos, se o do lado do comandante ou o do copiloto estavam funcionando corretamente, de onde vinham os dados corretos, em quais eles poderiam confiar.

3 minutos após a decolagem, o Aeroperú declara emergência e solicita retorno ao aeroporto de Lima, solicitando também que o controlador confirme qual altitude aparece no radar, assim eles poderiam ter uma evidência de qual instrumento estaria correto, já que na tela do radar do controlador aparecem alguns dados do voo também, como velocidade, altitude, se está subindo ou descendo, etc. Lembrem-se… do lado de fora, apenas a escuridão total.
O controlador então informa que eles estão voando a 220kt de velocidade, a 50 milhas de Lima e a 9700 pés de altitude sobre o mar. Enquanto isso, os pilotos leem 370kt nos seus velocímetros e o aviso de overspeed (ou velocidade excessiva) começa a soar. Ao mesmo tempo, a tripulação ouve o aviso de “too low, terrain” (quando o avião avisa que você está muito baixo e há terreno em sua trajetória).

29 minutos após a decolagem do 603, o controle de aproximação de Lima chama o Aeroperú em sua frequência, escuta um ruído ilegível, e logo em seguida, o símbolo do avião some da tela do radar. O 757 havia feito seu mergulho final no pacífico a 48 milhas da estação de VOR de Lima, na radial 288, como mostra o mapa da investigação. Aviões não despencam do céu assim. O que teria acontecido com o voo 603 Aeroperú?

Nos dias seguintes ao acidente, a Marinha peruana, com ajuda da Marinha americana, conseguiu recuperar parte da fuselagem do 603, a zona de impacto era de difícil acesso, no fundo do mar. A caixa preta com os dados do voo e a gravação de voz da cabine também foram encontradas e recuperadas. Logo de cara, uma descoberta deixa os investigadores de queixo caído quando o lado esquerdo da fuselagem é retirado do mar: o 757 tinha suas tomadas estáticas de ar tapadas com fita adesiva!